HomePrincipalEntrevista com Cathleen Kabashi, diretora da opti 2027: “Não queremos esperar que o futuro aconteça: queremos reunir quem o vai definir”

Entrevista com Cathleen Kabashi, diretora da opti 2027: “Não queremos esperar que o futuro aconteça: queremos reunir quem o vai definir”

Com mais de 25 anos de experiência no setor das feiras profissionais, Cathleen Kabashi, diretora da opti, trabalha para consolidar o certame de Munique como um ponto de encontro e uma plataforma de referência para a indústria ótica e os setores relacionados.

Para a opti 2027, a feira apresenta o conceito “See. Hear. Next.”, que coloca o foco nas tecnologias, nos novos modelos de negócio e nas oportunidades que irão marcar a evolução do setor. Entre as principais novidades destaca-se a opti SMART TECH, um novo espaço dedicado a smart glasses, wearables, hearables e tecnologias conectadas.

Nesta entrevista, Kabashi explica o que significa realmente esse “Next.” e como a opti pretende transformar as tendências do futuro em oportunidades concretas para a indústria.

– Com “Next.”, a opti lança uma mensagem ambiciosa no âmbito da sua campanha “See. Hear. Next.” O que significa realmente este conceito?

– “Next.” resume muito bem aquilo que a opti representa. Não queremos esperar que o futuro chegue em algum momento; queremos reunir as pessoas, as tecnologias e os mercados que irão definir o que está para vir.

Não falamos do futuro como uma visão abstrata, mas sim de oportunidades concretas para a indústria. Que desenvolvimentos estão a transformar os produtos, os serviços, as necessidades e os hábitos? Onde estão a surgir novas parcerias? Qual será a próxima área de negócio?

É precisamente este tipo de questões que a opti quer tornar visíveis, tangíveis e, sobretudo, relevantes do ponto de vista comercial. Neste contexto, a opti SMART TECH desempenha um papel particularmente importante, porque mostra de forma muito clara como as novas tecnologias podem ser integradas na prática da ótica e da audiologia.

– Definiu a opti SMART TECH como um dos elementos-chave de “Next.”. Por que razão considera que este novo espaço representa tão bem esse conceito?

– A opti SMART TECH reflete de forma muito clara aquilo que queremos dizer com “Next.”. Tecnologias como as smart glasses, os wearables, os hearables e as aplicações conectadas estão a evoluir a grande velocidade. No entanto, o mais importante é perceber como estas tecnologias podem transformar-se em soluções concretas e em novas oportunidades de negócio para a ótica e a audiologia.

Por isso, queremos reunir os fornecedores de tecnologia com os profissionais que explicam a inovação, a tornam acessível e são capazes de a levar para o mercado. A opti SMART TECH será, assim, uma componente visível de “Next.”, embora não seja a única.

– Quando falamos de “Next.” pode parecer que estamos perante um conceito essencialmente internacional. No entanto, o principal mercado da opti continua a ser a região DACH. Isto não limita a sua vocação internacional?

– Pelo contrário. É precisamente o nosso principal mercado na região DACH que faz com que a opti seja tão relevante dentro deste conceito de “Next.”. Nos países de língua alemã encontramos muitas empresas que são referências internacionais em tecnologia e ótica, desde grandes líderes mundiais a empresas altamente especializadas.

Na opti, estas empresas têm a oportunidade de contactar com um público particularmente qualificado proveniente da Alemanha, Áustria e Suíça: profissionais familiarizados com a tecnologia, com um elevado nível de especialização e muito próximos da realidade do mercado.

Esta concentração não é uma contradição com a vocação internacional da feira, mas sim uma das suas vantagens. Quem apresenta uma inovação em Munique tem acesso a um dos mercados europeus mais exigentes e recetivos e pode, além disso, avaliar numa fase muito precoce quais as tecnologias, parcerias e modelos de negócio que têm potencial para se tornarem relevantes.

– Que evolução do mercado torna necessário abordar agora o futuro a partir de uma perspetiva mais global?

– Porque estão a acontecer muitas coisas em simultâneo. A tecnologia e a ótica estão a convergir; a ótica e a audiologia estão cada vez mais ligadas, e os produtos incorporam novas aplicações e serviços digitais.

Ao mesmo tempo, estão a mudar os mercados, os perfis profissionais e as expectativas e necessidades dos consumidores.

Por isso, já não basta analisar cada desenvolvimento de forma isolada. A opti quer oferecer uma visão mais ampla, mas suficientemente concreta para que cada ótica e cada empresa possam retirar as suas próprias conclusões e tomar decisões.

– Para além da opti SMART TECH, onde será especialmente visível este conceito de “Next.” durante a próxima edição?

– Onde diferentes mundos, até agora separados, possam encontrar-se e gerar novas oportunidades.

A opti SPHEARE continuará a promover a interação entre a ótica e a audiologia. A TOMORROW VISION reunirá, de forma muito concentrada, as tendências e novidades relacionadas com o futuro das lentes de contacto. E, com a opti FINE EYEWEAR e a opti DESIGN STAGE, agora ampliada, abrimos novas vias de acesso ao design, às marcas e à apresentação de produto.

Juntamente com a opti SMART TECH, estes formatos não devem ser entendidos como espaços isolados. Em conjunto, mostram até que ponto a visão de futuro da nossa indústria está a alargar-se e como esse futuro pode ser vivido de forma concreta na opti.

E tudo isto é, em última análise, impulsionado pela capacidade de inovação dos nossos expositores.

– O que pode “Next.” trazer aos expositores?

– Permite-lhes posicionar os seus produtos, soluções e modelos de negócio numa fase inicial perante um mercado internacional, sobretudo europeu, e entrar em contacto com as pessoas que podem transformar essas inovações em negócio: responsáveis pela tomada de decisão, profissionais de retalho, utilizadores e potenciais parceiros tecnológicos, de produto ou comerciais.

As maiores oportunidades surgem precisamente nas interseções. Quem conseguir ligar tecnologia e ótica, integrar uma aplicação num produto ou chegar a novos grupos de consumidores encontrará na opti os interlocutores adequados.

Por isso, “Next.” significa também, de forma muito clara, “next business”: o próximo negócio.

– Que papel desempenham os jovens profissionais, as start-ups e a renovação geracional nesta visão de futuro?

– Um papel fundamental. Não é possível falar do futuro de forma credível sem contar com as pessoas que o vão construir.

Por isso, desenvolvemos formatos dirigidos a start-ups, jovens talentos, empreendedores e profissionais que irão assumir a renovação geracional, e mantemos um diálogo permanente com as novas gerações do setor.

É também particularmente relevante para os expositores. Aqueles que começam hoje a estabelecer relações com os profissionais, decisores e prescritores do futuro estão a construir ligações que serão importantes a longo prazo.

Para nós, a Next Generation não é um programa complementar, mas uma parte integrante da nossa estratégia para o futuro.

– O que gostaria que o setor levasse da opti quando pensar em “Next.”?

– Sobretudo, vontade de dar o próximo passo. Queremos que a opti sirva para orientar, mas também para estimular e, naturalmente, para inspirar: despertar o interesse pelas novas tecnologias, pelas parcerias inesperadas e pela possibilidade de repensar e desenvolver novos modelos de negócio. E, acima de tudo, queremos promover o diálogo com as pessoas que realmente importam.

O nosso objetivo não é apenas mostrar como é hoje a indústria. Queremos trabalhar em conjunto com o setor para identificar e tornar visível aquilo que será relevante amanhã, sejam produtos, estabelecimentos, mercados ou as pessoas que estão por detrás deles.

Se, depois de visitar a feira, um profissional sair com uma decisão concreta que queira pôr em prática, então “Next.” terá cumprido exatamente o seu propósito.

– E, para terminar, uma pergunta mais pessoal. O que mais a inspira nesta indústria e o que a leva a contribuir ativamente para o seu futuro através da opti?

– O que mais me inspira é a rapidez e a curiosidade com que a nossa indústria continua a reinventar-se. Surgem constantemente novas inovações que não só permitem que a opti continue a evoluir, como também tornam realidade o conceito de “Next.”. Muitas destas tendências chegam até nós muito cedo e diretamente, graças à nossa sólida rede de contactos. Isto permite-nos questionar rapidamente as ideias e contar com o apoio necessário quando é preciso tomar decisões corajosas.

Apesar de toda a tecnologia que existe por detrás, continuamos a falar de uma indústria de pessoas: de boa visão, boa audição e qualidade de vida.

Ver como o setor está a construir o seu futuro e perceber o contributo que a opti pode dar a esse processo é o que me motiva. E, naturalmente, tenho muita curiosidade em descobrir o que vem a seguir.

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